Era um sonho interessantíssimo.
«Que coisa extraordinária!...» - Pensei.
Era uma descoberta, um renascimento. Agora, sim, eu iria começar a pensar de um modo totalmente diferente.
«Ah!... Como se pode olhar de repente para tudo com novos olhos!... Como é tudo diferente!... Ainda não estou morto!... A realidade ainda não se cristalizou numa forma adulta, numa única modalidade!... Ah!... Que infinito!... Que horizonte!... Que extensão!... Que possibilidades!...»
Mentalmente, no interior do sonho, tomei nota de três coisas:
Luva
Crina
Dó
Pois eram os eixos, as articulações desse raciocínio que me salvaria da morte.
Quando acordei, porém, encontrei-me apenas com isto:
- Luva. Crina. Dó.
Onde estava o resto?
Que raio de coisa absurda!...
Onde estava o caminho do infinito que essas palavras me prometiam?
É triste que a passagem do entusiasmo à miséria se faça com elementos tão dúbios e tão risíveis.