A Francisca finalmente saía com Heinrich Hart, o que
a deixava muito excitada.
Porém, ao fim de algumas horas de estarem juntos,
já não sabia se tinha feito assim tão bem.
Heinrich Hart guiava um autocarro enorme, um autocarro da Carris
que cheirava mal e tinha um grande volante, que Hart manejava com orgulho e
perícia.
«Mas quem é que precisa de um autocarro?...»
Pensava a Francisca, olhando
perplexa, ora para ele, ora para todos aqueles lugares vazios.
Além disso, quando se aproximaram, a Francisca verificou que ele tinha um buraco na cabeça, do lado
direito da fronte, por onde saía um cordel.
Aquilo queria dizer que ele não
pensava pela sua cabeça.
Se alguém puxasse por aquele fio, assim mudava o que ele
pensava.
«Como é que nunca reparei neste buraco?»
Embora permitisse resolver vários enigmas, uma tal constatação deixava-a triste, triste, profundamente triste.
Era a destruição real de uma ideia de amor, ainda que esse amor não passasse de uma ideia.
E um tal peso é difícil de carregar.