Sobre as coisas impossíveis

Sonho CCLXXVI


Estava um daqueles suaves dias de Primavera, em que as flores e as ervas rasteiras perfumam agudamente o ar.
 
Wilson Florentine e Anaïs D. beijavam-se voluptuosamente no meio de um prado, quando Anaïs começou a voar.
 
- O que é que te aconteceu?... - perguntou Wilson, olhando para cima para Anaïs D.
 
- Desce!... 
 
O beijo tinha sido tão bom que Anaïs não conseguia descer, por mais que tentasse.
 
- Não consigo... - disse ela. - Dá-me a tua mão.
 
Pegou-lhe na mão e, com um pequeno golpe, deixou-o a flutuar a seu lado.
 
- O que é isto?... - perguntou Wilson F.
 
- Estamos a voar... não é fantástico?... É como nadar... é só apanhar o jeito... se empurrares assim o peito, deslizamos como dois pássaros.
 
Voaram um pouco de mãos dadas sobre as estepes, mas ele não parecia animado. Parecia receoso e preocupado, como se estivesse preso.
 
Anaïs D. deixou-o no sopé de uma colina, segurando no peito um mar de lágrimas.
 
- Adeus.
 
E continuou a sua viagem, tentando acompanhar uma nuvem.
 
Só muitos dias mais tarde se deu ao luxo de chorar.