Sobre uma fotografia falhada

Sonho CLVI


Com o objectivo de tirar uma fotografia genial, a Maria do Mar decidira fazer uma viagem de barco.
Levara consigo uma amiga dedicada, uma aliada imprescindível - a Mariana Silk.
Jenny Stuart, uma tia inglesa que apreciava a forma elegante como a Maria do Mar se vestia, dissera, com preocupação e sem maldade, de uma amiga que ambas tinham em comum:
«Ela precisa de aprender a vestir-se... Precisa de saber pentear-se... Precisa de aprender a assinar o seu nome... Não concordas?...»

Jenny Stuart fora aquela que certa noite, muito bêbada, decidira beijar a sua rã de estimação. A inocente rã, porém, mal sentiu o beijinho de Jenny Stuart, deu-lhe uma dentada no lábio inferior e não mais a largou, de modo que a Jenny Stuart teve de dirigir-se ao hospital de Cascais a meio da noite para ser salva de uma rã demasiado amável no serviço de urgências.
Era de noite. Do rio por onde navegava o barco via-se a cozinha envidraçada de uma casa luxuosa onde se dava uma grande festa, iluminada por dentro.
Aí, um grupo de criados fardados a rigor comia apressadamente numa mesa apertada, muito encostados uns aos outros.
«Pensavam que isto já não existia, mas ainda existe.»
«Isto» era a extrema desigualdade entre as classes sociais, degradante para todos os implicados, sem excepção.
Mas a Maria do Mar encontrava finalmente a sua fotografia genial, no interior do barco.
Era uma pequeníssima e redonda mancha vermelha, levemente desfocada, ao lado de um pionés azul claro.
«A minha máquina!...» - gritava ela para a sua amiga, a Mariana Silk.
O barco estava agora em alto mar e balançava debaixo de uma forte tempestade marítima.
Quando a Mariana Silk abriu a porta do camarote onde se encontrava a máquina, todo o conteúdo do camarote se precipitou pela porta e foi deslizando em alta velocidade pelo convés até cair no mar.
A Maria do Mar temeu pela sua amiga mas foi encontrá-la mais adiante, sentada e muito sossegada, entretida com uma tarefa que a fazia olhar para as mãos.
«Meu Deus... Tenho de me deitar.»
Estendeu-se ao lado da sua amiga enquanto se masturbava discretamente por cima das roupas, e depois reclinou-se.