Sobre uma poça de água

Sonho CXLVIII


De joelhos e com as mãos apoiadas no chão, debruçava-me sobre uma poça de água à
beira-mar.
 
Ali estavam as anémonas de aspecto esponjoso que agitavam suavemente os tentactáculos moles e modernamente coloridos, verdes e amarelos ácidos e rosa shocking.

Uma espécie de caracol-vampiro que parecia alimentar-se do sangue das flores, deixando atrás da sua marcha lenta um rasto de destruição.
 
Uma serpente que rastejava por entre as rochas, desaparecendo por túneis e ressurgindo depois num outro ponto inesperado, com um rosto frio e ameaçador.
 
Completamente imóvel e de joelhos, contemplava este mundo multicolor e incrivelmente variado, ao mesmo tempo repelente e fascinante, como se estivesse hipnotizado.
 
Nuno Maria