Sobre o mar num dia de Verão

Sonho CXXXVII


Caminhava alegremente sobre as dunas de um areal selvagem quando me deparei com um mar que era espantoso, absolutamente espantoso.
 
Era um mar sem som.
 
Era verde e liso como a superfície de um espelho metálico, muito brilhante e homogéneo, quase irreal. 

Deslizavam nele ondas sem espuma que eram redondas e mais altas que três homens uns em cima dos outros.

Mas rolavam suavemente e sem qualquer ruído, como lentas ondas abstractas percorrendo um espaço celeste.
 
Ah!... Que mar!...
 
Nunca vira um mar assim!...
 
Despi-me e corri para dentro dele como se esses fossem os últimos segundos da minha vida.
 
Ao fundo, depois das primeiras linhas de ondas que rolavam suavemente, estava uma ampla plataforma flutuante onde os nadadores e as crianças podiam descansar, sem ter de regressar à praia.
 
Havia bolo indiano de camadas para comer e ainda litros de coca-cola cuja cafeína nos estava a deixar a todos eléctricos.
 
Eu deitava-me de barriga para baixo com os braços apoiados nos cotovelos e escrevia numa máquina antiga, com o teclado em degraus.
 
Era exactamente como se tivesse acordado de um sonho e escrevesse ainda deitado na cama.