Sobre casais trágicos

Sonho LXXIV

A Maria do Mar estava muito feliz porque podia de novo abraçar o Diogo.

Na verdade, continuava a achar-lhe muita graça, por causa do corpo magricelas e desengonçado, que fazia lembrar o Lucky Luke, os caracóis negros e longos que lhe davam um ar meio esgrouviado e aquele semblante de cavaleiro medieval, o ar de adolescente irreverente e as unhas roídas.

Porém, a situação não era, na verdade, nada agradável, a despeito das suas primeiras impressões, porque a verdade é que estavam ambos amarrados um ao outro e pendurados de uma corda, no alto de uma torre, como aqueles casais trágicos medievais, à espera que lhes cortassem a cabeça com um machado.